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O Grande Hotel Budapeste

O que caracteriza uma comédia, na atualidade? São aquelas galhofas, cheias de piadas de duplo sentido? São os tediosos e previsíveis filmes sátira? Vi muita gente reclamando que o Grande Hotel Budapeste foi vendido como comédia e, segundo eles, compraram gato por lebre. A comédia está lá. Ela simplesmente, não é escrachada ou gratuita. Ela está impregnada em meio ao drama e a fantasia, sempre tentando conseguindo quebrar o gelo nos momentos de tensão. Afinal, quem não riu do “Ele jogou meu gato pela janela?”?

Polêmicas a parte, os planos abertos de Wes Anderson (Moonrise Kingdom, 2012) continuam a me encantar. A fotografia, cenários estourados, tons pastéis… tá tudo lá, bem no estilo tão característico dele. Quer você goste quer não, o cara tem se tornado um dos grandes e seus filmes passaram a ser aguardados com ansiedade e uma certa expectativa. Expectativa muito bem correspondida, diria eu.

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Escrito pelo próprio Anderson, baseado na obra de Stefan Zweig, o filme começa com um belo plano aberto em um cemitério, onde uma jovem visita um busto de um escritor. Ela segura um livro: O Grande Hotel Budapeste. Começa ai um pequeno inception de memórias, onde o autor (Tom Wilkinson) relata sua passagem pelo hotel quando era mais jovem (Jude Law). Nesse momento, o hotel já não tem mais o glamour de outros tempos, e o jovem escritor conhece um velho homem, que o convida para jantar e contar sua história de amizade com o concierge Gustave (Ralph Fiennes – o irmão bom) entre a primeira e a segunda grande guerra e como acabou herdando o hotel – esse começo lembra um pouco As Aventuras de Pi. Embarcamos então, em uma maravilhosa história de amizade do concierge com seu “lobby boy” Zero Moustafa (o talentosíssimo Tony Revolori).

Recheado de bons atores e excelentes atuações – mesmo que alguns não façam mais que uma ou duas cenas – fora os já citados, o filme ainda conta com Tilda Swinton, Bill Murrey, Edward Norton, Adrien Brody (sensacional no papel do excêntrico Dmitri), Owen Wilson e muito outros.

Fiquei realmente encantado. Na minha opinião, um dos melhores filmes do ano. Estamos quase na temporada de premiações, então vamos ficar de olho. Sinto o cheiro de estatuetas!

Curiosidade
Nos créditos do filme, uma informação me deixou curioso: “Inspirado na obra de Stefan Zweig (Viena, 1881 – Petrópolis, 1942)”. Pois é, Stefan Zweig cometeu suicídio em 1942 em terras tupiniquins. Antes disso, entre 1940 e 1941, finalizou um de seus textos com “Brasil, o país do futuro”, apelido usado até hoje.

 

Post original: rebobineporfavor.com

Written by Samuel Soeiro

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